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O meu ano de 2014 começou a rasgar.

Rasguei as rotinas, rasguei algumas cordas que me prendiam.

E tudo isto teve uma razão muito forte. Dei por mim a olhar para ontem e a ficar vazio de toda a motivação. Não era por falta de desafios como costumam dizer. Queria mais, queria melhor.

Queria aprender mais e queria uma situação profissional mais dinâmica, sentir mais reconhecimento. Queria mais espaço ou no mínimo um espaço diferente. Estava a sentir-me sufocado pelas rotinas. Não que fossem más rotinas, mas eram rotinas que não me estavam a levar a lado nenhum.

Bastaram 45 dias.

Pode parecer muito tempo para quem está de fora. Quem muda todos os aspectos do seu dia a dia-a-dia em 45 dias sente que está no meio de um turbilhão. É um pentatlo desenhado pela equipa dos Jogos Sem Fronteiras, onde cada prova dura 9 dias.

Vamos por partes, como diria o Jack. Quem quer mais espaço, conquista-o. Começa por matar a inércia. Procura-a sorrateiro e estrangula-a, sufoca-a, esfaqueia-a com todas as motivações que encontrar.

Eu fiz isso no dia 1 de Janeiro, sem sequer me incomodar a esconder as provas. Informei a senhoria de que iria vagar a casa dali por 30 dias. Agora, ou encontrava uma casa nesse tempo ou tinha de começar a construir uma cabana na praia de Oeiras.

Rápido, eficaz, brutal.

Começa a prova seguinte, com visitas a casas quase todos os dias depois do trabalho e mesmo nas horas de almoço. Nomes e moradas num caderno. Riscados, classificados, reordenados até à exaustão.

As rotinas começaram a temer pela vida. Algumas enfraqueceram, outras nem tiveram tempo de fugir.

15 de janeiro, o ponto de decisão estava a chegar. Nesta data teria encontrado casa ou começaria a pensar em alternativas para poder fazer a mudança nos dias que faltavam.

A Ansiedade já tinha crescido muito nestes dias. E como crescida que era, fazia por me manter acordado de todas as formas possíveis. Ainda hoje não sei quantas horas de sono me roubou.

Haja café e há Persistência. Ou Teimosia, conforme lhe queiram chamar. Qualquer que seja o nome para a catraia é sempre bom tê-la como amiga. Sempre bem disposta, por vezes reles.

Foi ela que recompensou o meu esforço com um fantástico golpe de sorte. A casa ideal, pronta a habitar, num lugar perfeito.

Mudar de sítio foi uma lufada de ar fresco e tal foi a ventania que mais rotinas se foram, emigraram. Ficaram as melhores e as mais agradáveis. Casa, trabalho, amigos e família.

Com novas rotinas vieram novas conversas e com as conversas surgiram oportunidades.

Razão tem o José que ainda hoje diz:

“Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!”

E eu segui, sem medo e sem olhar para trás, por caminhos que ainda não eram caminhos.

Com um novo emprego as rotinas que ainda resistiam caíram. E aprendi. Aprendi a ferros, caí e levantei-me. Fiz cicatrizes mas não me arrependo de nenhuma. Tenho pena que não tenha tudo resultado como era suposto, isso sim. No final, posso dizer que no meio de tanto turbilhão sabe bem saber que algumas coisas são constantes. Aprendi a não arranjar desculpas, especialmente quando sou eu a dá-las.

É este o ponto chave: Sempre em frente, sem hesitar e sem procurar desculpas. Tem de ser um sprint, uma altura em que estamos tão focados que mais nada importa. Aplicamos toda a energia num único objectivo, recorremos a todos os recursos.

A única coisa garantida nesta corrida é que vamos tropeçar. Não importa se é mais cedo ou mais tarde, vai acontecer. É aqui que entram os planos B. As contingências para retomar o passo logo que possível.

O resto? O resto é determinação e acreditar que estamos a fazer o melhor para nós e para aqueles de quem gostamos.


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