3 min read

Não sei se vai ser difícil escrever uma página por dia. Por agora estou sentado à mesa do pequeno almoço, rodeado de banalidades e com uma chávena de café com leite que diz “Tea Me”. Adoro estas pequenas contradições.

8h40. Tenho a sorte de poder ter uma rotina que começa devagar.

Quanto tempo demora a escrever 500 palavras? É pena não conseguir ter um mecanismo para contabilizar a minha produtividade. Só pelo prazer de saber se daqui por uns tempos vou ser capaz de escrever mais depressa.

Uma coisa vou saber, se as ideias ficam ou não mais coerentes com o tempo. O que será que isto faz ao cérebro?

O cérebro é capaz de se adaptar e é quase como um músculo. Só não sei que efeitos terá este exercício diário.

“Be right back, Moving house” do Ghost poet é o que se ouve agora.

A regra de não voltar atrás nos textos, de não apagar parágrafos inteiros, é ao mesmo tempo uma ajuda e um peso. Porque sinto que as coisas ficam desconectadas. Neste momento não tenho qualquer fio condutor com o início do texto e ao mesmo tempo estou a sentir-me ficar sem ideias.

Hoje o desafio é maior. Tenho de conseguir chegar às 500 palavras sem chegar atrasado ao emprego. Eu odeio atrasar-me. Causa-me desconforto físico. E isso tornou-se mais grave desde que uma vez, por causa de uma mudança de hora e de uma maratona na ponte 25 de abril, deixei a Cristina horas à minha espera.

Ah raios, é tão fácil distrair-me e olhar para o telefone. Só para ver coisa nenhuma. É o refúgio para quando chego à falta de ideias e para quando as palavras páram de fluir.

No outro dia mostraram-me uma entrevista onde o Louis CK explica porque é que odeia os telefones. Porque são o refúgio quando nos sentimos sozinhos. E não há mal directo em nos refugiarmos da solidão. Só que isso vai também tirar um bocadinho do valor de nos sentirmos próximos dos outros. De haver uma ligação clara e forte entre as pessoas.

353 palavras. É por estar a prestar tanta atenção ao contador que está no final do texto que sei que isto me está a custar mais do que eu imaginava.

“Um página por dia? Pacífico.” Agora não há como voltar atrás. Como também não há forma de voltar atrás, ao parágrafo de introdução e explicar melhor o ambiente onde estou. E se o explicar aqui, fica forçado, fica um texto mais feio ainda do que esta confusão de ideias.

Ainda aí estão? Há uma ideia que não me tem saído da cabeça e que não sei como a colocar nestas páginas. É como um segredo que quer sair mas não encontra a porta.

É sobre as conversas. É sobre o quanto é bonito ver uma pessoa que está feliz e que está a tornar-se cada vez melhor e mais forte. É sobre a vontade de nos percebermos e de nos explorarmos. Fica para outro dia ou se calhar para nunca. Logo se vê. 521 Palavras.


Às Páginas Tantas

um exercício, uma tentativa de criatividade

Select one of the pages in this story

header
Creativity

Cinderela

Há muitas Histórias mal contadas, e a da Cinderela é mais uma. É verdade que ela vivia com a madrasta e as irmãs, e estava a tirar um curso de gestão de … Read more

header
Creativity

Bianca Neves e os 7 colegas de casa

Pensamos sempre que as histórias se passaram há muito tempo, porque nos contaram a história a começar com “Era uma vez”. E se o tempo não for … Read more

header
Creativity

Agora faltam as páginas de hoje

“Agora faltam as páginas de hoje” Caraças para este gajo pah! E o pior é que ele tem razão. Faltam as 500 palavras de hoje e também faltava a … Read more

header
Creativity

Primeiro dia de aulas

Não era a primeira vez que ia para a escola, podia parecer mas não era. Ainda se lembrava de como tinha sido o primeiro dia de aulas de sempre. Como todos … Read more

header
Creativity

Dia a dia no bairro

All neighborhoods have their own whimsical and treasured characters. Those who wake up almost at the same time and meet each other in cafes, amid cheerful … Read more

header
Creativity

Viagens pelo País Encantado

Corre corre corre! Corre contra o tempo que já é quase meia noite! Será que há uma entrada para o país das maravilhas em Lisboa? Aposto que é no bairro … Read more

header
Creativity

Porque é que tu corres?

Lembro-me perfeitamente da vez que corri 9 quilómetros. De estar a ouvir a mixtape “brinde” dos Orelha Negra, de sair de casa com a cabeça … Read more

header
Creativity

Às Cartas

Odeio tabaco. Odeio o cheiro e a pose de superioridade deste gajo. E a falta de maneiras. Pega nos amendoim com a mão cheia, enfia-os na boca como se fosse … Read more

header
Creativity

18 08 2017

Estava sentado sozinho na mesa de um café ao computador. A ouvir música pelos auriculares, baixo o suficiente para ouvir o que o rodeava. Numa das mesas … Read more

header
Creativity

17 08 2017

Eu leio pouco, mas ainda assim há ocasiões em que me lembro de bocadinhos de literatura que fazem todo o sentido. Hoje foi o Poema em Linha Reta de Álvaro … Read more

header
Creativity

16 08 2017

É sempre complicado deixar as coisas arrastar. Esta rotina funciona muito melhor quando a consigo fazer ainda de manhã. E há conversas que não se podem nem … Read more

header
Creativity

15 08 2017

Ainda há dois minutos ou três eu tinha ideia sobre o que queria escrever. Entretanto fugiu quando entrei na rotina de feriado. Já não estou à janela porque … Read more

header
Creativity

14 08 2017

Não sei se vai ser difícil escrever uma página por dia. Por agora estou sentado à mesa do pequeno almoço, rodeado de banalidades e com uma chávena de café … Read more

Follow

Enter your email to get a weekly digest of new posts.