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Ainda há dois minutos ou três eu tinha ideia sobre o que queria escrever. Entretanto fugiu quando entrei na rotina de feriado.

Já não estou à janela porque já bate lá o sol e é impossível ficar sentado. Castigo por ter dormido um bocadinho mais? Seja o que for agora sinto-me num beco e sem ideias sobre o que escrever.

No final da semana passada tinha imensas. “Vou fazer isto, vou escrever aquilo”, não fiz a lista, como habitualmente faço e perdi isso no meio da confusão que é a minha cabeça. E agora, estava contente em largar editor de texto e ir pesquisar a forma ideal de centrar um poster num quadro para pendurar a serigrafia que o Vasco me ofereceu na parede.

As paredes da minha casa ainda só têm um quadro. Uma fotografia vertiginosa tirada pelo Pedro Pinheiro do topo da ponte 25 de Abril. (Estou-me a marimbar para as vossas teorias de qual é o nome correcto da ponte.)

A um canto estão duas molduras, prontas a pendurar. Estão à espera que eu tenha motivação para o fazer. Boa sorte minhas queridas. Até já me habituei a esta decoração sem usar as paredes.

Tivesse eu tempo para fazer nada, pudesse eu ser menos workaholic. E provavelmente ocupava com outras coisas deixando as molduras no chão da mesma forma.

Neste exercício há uma coisa que é mais complicada. Conseguir que o que escrevo não seja sobre mim.

Uma fuga fácil seria contar-vos as histórias de uma série de pessoas que conheço. Temo é que isso seja colocar-lhes um foco de luz que as deixaria desconfortáveis. E depois, seria preciso mais do que isso. Algo que tornasse o texto mais geral e mais prático.

Isto surge por causa de um livro, Zen and The Art of Motorcycle Maintenance. É um livro com três histórias entrelaçadas. Uma road trip, o caminho para fora de uma depressão e a metafísica da Qualidade.

Retalhando o conceito para lá do que o autor deseja, podemos dizer que a Qualidade surge quando uma coisa reúne ao mesmo tempo uma perspectiva prática/analítica e uma perspectiva emotiva/romântica. Um balanço perfeito entre forma e conteúdo, por exemplo.

A mota é usada como exemplo porque é um objecto de engenharia complexo e eficiente. Numa mota é importante a precisão milimétrica do pistão do motor, por exemplo. E também é importante que a pessoa tire prazer da viagem. É importante que não seja só um objecto utilitário.

É o que também gosto nas bicicletas, apesar de me dedicar muito menos a cuidar da minha do que o autor. Numa bicicleta há outro factor importante. Existem menos barreiras entre quem conduz e quem está a caminhar. Numa moto, entre o capacete e os ruídos mais agressivos, há uma tendência menor das pessoas se aproximarem do condutor.

As razões pelas quais um anti social como eu aprecia isto são tanto um mistério para vocês como para mim.

Vamos voltar à importância de escrever algo que seja mais do que sobre mim ou sobre pessoas específicas.

Contar-vos a história de uma pessoa (seja eu ou outra qualquer) por si só ia saber-me a pouco. Gosto de quando as coisas que escrevo servem para que as possam usar de modo prático no dia a dia e quando têm aquele equilíbrio entre forma e conteúdo. 562 palavras.


Às Páginas Tantas

um exercício, uma tentativa de criatividade

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