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Esta história começou o ano passado, quando eu e alguns amigos participámos na Lisbon Maker Faire. Aconteceu por impulso, tínhamos 4 semanas para conseguir uma ideia que fosse suficientemente interessante para apresentar e útil quanto baste para valer o tempo das pessoas que iam lá estar. Naquela altura o tema de conversaera o novo NodeMCU e o módulo Wi-Fi ESP8266.

Sabem aquela sensação de que somos a pessoa mais burra na sala? E que isso não é um problema, já que todas as outras pessoas partilham e ensinam-nos coisas? È essa sensação que tenho quando estou ao pé deles. Por isso não desistam já e fiquem comigo durante mais um pouco.

Os kits NodeMCU permitem conectar praticamente qualquer coisa a uma rede Wi-Fi. A ideia era simples, fazemos com que estes módulos falem entre si e passem informação ao longo da rede, até alcançar um que esteja conectado à internet.

E, tendo em conta que podemos incluir todos os tipos de sensores no sistema, começámos com os módulos da temperatura e humidade.

Para ajudarmos estes dispositivos a integrarem-se no ambiente, decidimos transformá-los em casas de pássaros. Faz sentido, não é verdade? As florestas são sistemas e não devemos interferir neles sem lhes dar algo em troca.

O ponto final do SparroWatch é um painel onde conseguimos monitorizar as variações na floresta. Permite saber quais são as áreas mais secas, quais são aquelas cujo risco de despoletar um incêndio florestal é maior

Basicamente é isto. Existem muitas outras questões em aberto, mas a prova de conceito que fizemos para a Maker Faire foi suficientemente boa. O próximo passo seria executar um projeto-piloto, já que existem algumas coisas que ainda nos são desconhecidas ou sobre as quais temos dúvidas.

Qual o alcance dos sensores?

Neste momento ainda não temos a certeza.

Quão resiliente é o sistema?

Sabemos que as baterias conseguem aguentar 2 a 3 semanas sem energia solar, mas o pó e outros elementos podem exigir a manutenção nos ninhos.

Quão longo é o alcance?

A nossa estimativa é que 250 metros sejam uma distância segurança. Ou seja, 6 ninhos poderiam cobrir 1.5 km.

Lisbon Maker Faire 2016

Pedrógão Grande

Poderão já ter tomado conhecimento de que houve há algumas semanas um enorme fogo florestal em Portugal. Morreram 64 pessoas.

Isto suscitou algum interesse sobre a tecnologia que poderia ser utilizada para detetar ou prevenir fogos florestais. Flávio Nunes ouviu falar sobre o SparroWatch e escreveu um resumo desse e de outros projetos.

O fogo foi despoletado por uma trovoada seca. Eu estava a conduzir para Beirã-Marvão nesse dia, a 100 quilómetros de distância de Pedrógão. Mesmo aí, era possível sentir o ar seco e ver raios no céu.

Tenho sérias dúvidas sobre se o nosso sistema teria tido alguma utilidade para um fenómeno tão bizarro e estranho. Mesmo os peritos ainda estão a tentar determinar as razões exatas além da trovoada seca.

A vasta plantação de eucaliptos está a ser encarada como um fator, já que esta árvore arde rapidamente e não é originária da região. Para piorar as coisas, parece que houve problemas com o sistema de comunicação de emergência que os bombeiros estavam a utilizar.

Estamos à procura de uma causa única, de alguém ou algo para culpar. Trata-se de um exercício de acusão inútil. Uma abordagem construtiva passaria por legislar sobre as plantações de eucaliptos e tentar melhorar a forma como gerimos as nossas florestas.

Seria ótimo se um sistema como o SparroWatch pudesse ser útil, e o código com instruções está disponível no GitHub para todos que pretendem utilizá-lo. E, além disso, existe um artigo com detalhes no site da OneOverZero Labs.

Não há nada a impedir-vos! Garantam só que dão os devidos créditos à ! OneOverZero Labs quando criarem a vossa rede SparroWatch.

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