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A coordenação do Mestrado da Escola Superior de Comunicação Social convidou-me para dar uma aula online à volta do conceito de fake news. O resultado foi uma resenha sobre como começaram e qual pode ser a resposta dos profissionais de comunicação a este problema.

O que se segue, são as minhas notas, mais ou menos soltas, para o que foi uma hora de conversa com os alunos.

Fake News, como começaram

Primeiro é importante questionar o que são fake news e como começaram. A sua génese não vem só das relações públicas, remonta ao Império Romano.

  • Spin doctors
  • Estudos encomendados
  • Associações civis
  • etc.

As associações civis eram criadas por agências de comunicação, como forma de representar os interesses de uma empresa junto de orgãos de governo ou de patrocinar estudos de mercado teoricamente independentes.

Por volta de 2008 surgiram casos de uma prática chamada Astroturfing. Aqui, era criado conteúdo online através de blogs e outros meios de publicação como forma de dar a ideia falsa de se tratar de um grupo de consumidores ou entusiastas, de uma marca ou iniciativa.

  • Fake news e os algoritmos

    • O que são algoritmos e como são usados nos canais de social media
    • Google e os blogs
      • Um rio de notícias: O algoritmo do Facebook e Cambridge analytica
      • https://www.youtube.com/watch?v=1PGm8LslEb4
      • https://www.youtube.com/watch?v=V-1RhQ1uuQ4
      • https://www.youtube.com/watch?v=FY_NtO7SIrY
    • Algoritmo de Instagram
  • Bot nets

Um bot, neste contexto, é um perfil de social media falso que podem ser controlado remotamente, e em massa. Por exemplo, uma rede de bots pode receber instruções para fazer like num post, e até para deixar comentários com base numa lista de respostas possíveis.

Estes bots são usados para manipular os algoritmos.

Em alguns casos, existem bots que têm acesso a perfis reais de facebook, instagram ou qualquer outro canal de social media. Com este acesso, recebem instruções para colocar likes ou enviar mensagens directas com publicidade a toda a sua rede de contactos.

  • Filtros e deep fakes

  • O problema dos modelos de negócio aplicados online

Jornais e revistas online precisam de ter um meio de subsistência que geralmente é suportado em publicidade, e por isso requer visitas a todo o custo.

[Jaron Lanier defende por isso que temos de reconstruir a internet.][6]

Algumas consequências directas destes factos:

  1. A democratização do acesso à publicação online, dificulta o processo de filtrar conteúdo de qualidade. Isto acontece porque há mais pessoas a publicar, porque é difícil confirmar a autoridade e credibilidade do autor.

  2. O Design dos canais de social media incentiva a reacção e não a reflexão sobre o conteúdo que se está a ler.

Usamos os likes e as Reacções de facebook para mostrar que concordamos de alguma forma com o que é publicado. são sinais para reforçar o espírito de pertença.

Muitas das vezes, não vamos além do título e da imagem, não clickamos no que é publicado. A informação não é analisada com espírito crítico.

Em alguns casos, há uma intenção clara de passar a mensagem apenas no título da notícia partilhada. Foi o que vimos no caso Cambridge Analytica.

  1. Os sinais de qualidade da informação e credibilidade do autor podem ser falsificados

O conceito de sinais vem de Seth Godin, pode ser lido no blog e no podcast Akimbo

Likes, Followers, Comentários e Pageviews, todos estes indicadores podem ser falsificados de alguma forma.

Em Portugal isto é visível em três frentes:

  • Nos influenciadores que compram seguidores de instagram;
  • Nos partidos políticos que recorrem a bots de Twitter ou Facebook para espalhar notícias que lhes são favoráveis ou desfavoráveis à concorrência;
  • Nos comentários falsos que vemos nos jornais
  1. Mesmo que a notícia não seja totalmente falsa, pode ser enviesada de várias formas.

Devemos ver as fake news mais como uma escala e menos como um binário.

Porque é que agora, este tema é tão importante?

O tema já era importante na altura das eleições americanas. A razão pela qual ganhou urgência nesta altura pelo impacto directo e efeito rápido que pode ter na nossa vida em sociedade.

As fake news relativamente à Pandemia que estamos a enfrentar levam a histeria que, se se tornar colectiva, pode exacerbar o ritmo de infecções.

Quando é um político, local ou estrangeiro, a ser eleito graças ao uso de Fake News, os órgãos de governo têm margem de manobra para minimizar o estrago, para colocar barreiras ao que tenha potencial de afectar a nossa vida em sociedade democrática.

Quando se trata de um problema de saúde pública, a nossa vida pode sofrer o impacto sem qualquer amortecedor. Se as fake news fomentarem o uso de medicina alternativa e não testada, as pessoas que seguirem por essa via podem estar contaminadas e ser mais um veículo de contágio comunitário. O pânico colectivo pode levar a uma corrida aos mantimentos e à escassez de alimentos para quem precisa mais. A compra desenfreada de máscaras (que não oferecem barreira de contágio para quem está saudável e não contacta com pacientes) pode levar a escassez de máscaras para médicos e enfermeiros, que realmente precisam de as usar.

O nosso papel no combate à Infodemia

Espírito crítico, “Quem, escreve o quê, para quem, porquê, e com que objectivo ?”

Produzir conteúdo de qualidade

Idealmente Tem de ter uma versão long form e uma versão de consumo rápido, devemos tirar inspiração dos memes.

  • Imagens e infografias;
  • Tópicos chave;
  • Video até 3 minutos;
  • Links para fontes de validação;
  • Links para fontes de contraponto;
  • Reputação do autor para falar do assunto;
  • Reputação de quem partilha, para chegar ao público alvo; (por exemplo, recrutar influenciadores para transmitir mensagens de comunicação de interesse público, por parte da DGS, às camadas mais jovens)
Referências

Fonseca, P. (2007). Blogues Proibidos (L. C. Atlântico, Ed.). Centro Atlântico, Lda.

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