5 min de leitura

O último artigo sobre a blogosfera que li no Abrupto incomodou-me apartir do momento em que só conhecia o título. Não o posso esconder e fui sincero desde que comecei a ler as reacções (ainda não tinha lido o artigo).

Depois de ler o artigo, mantenho o meu comentário inicial no blog A Educação do Meu Umbigo. Mas ao mesmo tempo não quero prolongar o clima que se vê entre o Abrupto e os blogs. Acho que está na altura de mudarmos todos a postura um bocadinho. Por isso optei por escrever a seguinte Carta Aberta. Não passa de um convite ao autor, para assumirmos o valor das suas críticas como começo de um debate construtivo.

Além de ser publicada aqui, a carta será enviada por e-mail. E se por acaso concordarem com o que consta no texto, terei todo o gosto que a copiem e re-publiquem. Mesmo sem nome ou sem link para o post original. Isto porque o objectivo principal é mostrar uma blogosfera que raramente é retratada pelos meios de comunicação. Interessada, baseada no diálogo e na discussão dos diferentes temas.

Caro José Pacheco Pereira,

escrevo-lhe este e-mail, uma carta aberta que vou publicar, porque acho que está na altura de quebrar os atritos que existem entre o Abrupto e uma série de outros blogs. Para isso, gostava de o convidar a esclarecer alguns pontos que o seu artigo no jornal O Público me faz questionar.

Sinto que algumas das críticas que faz aos blogs já não são novas. E apesar de achar que a sua ideia de cultura de blogue nacional é negativa, identifico-me com ela num campo diferente que temo não conheça.

Achei interessante o paralelo entre a sua visão dos blogs e a opinião de Eça de Queiroz face aos jornais. No entanto, em ambos os casos parece-me que se tratou da inserção de um novo meio de comunicação na sociedade. Dado que aponta tantos erros, falhas e até influências negativas aos blogs, o que é que propõem para mudar a situação?

Do lado dos blogs encontro uma série de publicações que o senhor provavelmente desconhece. Refiro-me a blogs temáticos, ou até mesmo blogs pessoais, que dão a alguns temas tratamento digno de jornalismo online. São blogs que estimulam o diálogo e onde eu nunca vi a postura elitista que descreveu como um dos problemas da blogosfera.

No meu blog fala-se de relações públicas, e chego mesmo a defender que os bloggers devem assumir uma postura ética. Que devem até ter uma noção da sua responsabilidade social. E sinto-me confortável para falar do tema por uma razão simples. Porque sei que serei contestado se disser algo falso, se adoptar uma postura menos correcta ou se alguém encontrar falhas nos meus textos. É para isso que servem os comentários no meu blog.

Até agradeço que me digam que estou enganado. É dessa forma que se gera diálogo à volta de um post e se aprende qualquer coisa. É algo que se aproxima do método cientifico que Karl Popper propunha.

Como o meu há outros blogs que se esforçam por melhorar a blogosfera. Seja pelo incentivo de boas práticas, ou apenas pelo exemplo. Mas sempre com uma postura positiva. Como eu, estas pessoas vêm os blogs como uma nova forma de influência com os seus pontos positivos e negativos. Semelhantes aos jornais, mas com a diferença de que a publicação e a contribuição está ao alcance de todos. Não se trata apenas de criar conteúdo mas de contribuir para uma cidadania online.

Dentro desta categoria de blogs, acho que há alguns que é capaz de apreciar. Como o Obvious, Na Web 2, o Café da Manhã, o blog do Luis Soares, Pedro e o Blog. Isto para nomear apenas alguns que imagino estarem fora da blogosfera que conhece. Uma visita a redes de blogs como a Tubarão Esquilo, o Planet Geek e o Prt.Sc podem dar-lhe uma série de novas perspectivas.

Mas mesmo que não chegue a dar a devida atenção a estes ou outros blogs, gostava de saber que sugestões faz à blogosfera. De que modo é que os blogs se podem tornar utéis à sociedade portuguesa? Confesso que esta pergunta não é inocente. O blog Abrupto exerce uma influência bastante grande na blogosfera. isso é inegável. A minha pergunta surge porque nele só o vejo a publicar críticas pesadas.

Essas críticas são válidas mas temo que não surtam o efeito que deseja. Pelo contrário, acho que até prejudicam. Digo isto porque há muitos leitores do Público que não se interessam por blogs. E a única perspectiva que recebem dos mesmos vem dos artigos de opinião que nele publica.

Mas acho que o problema não termina aqui. Dada a perspectiva que transmite aos seus leitores ser assim tão parcial, dificulta os esforços de outros bloggers. Eles concordam com muitas das criticas que coloca à maioria dos blogs e assumem uma postura proactiva.

Esforçam-se bastante por produzir conteúdos de qualidade e por participar nas redes sociais de modo consciente. Aceitam e debatem as criticas que lhes são feitas. Pesquisam e confirmam os factos antes de os publicar, ou pelo menos assumem à partida quando os mesmos são duvidosos.

Espero que este texto sintetize bem a blogosfera que eu conheço. Fico a aguardar uma resposta sua a este e-mail, ou até mesmo uma resposta através de um comentário ao post que vou publicar.

Tenho a certeza que ao fazê-lo irá encontrar uma série de novos blogs e uma postura diferente àquela que está habituado a ver por parte de outros bloggers.

com os melhores cumprimentos,

Bruno Amaral

Seguir

Coloca o teu email para receber um email semanal com os últimos artigos.